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Grand Canyon de busão, vale?

Fernanda Rosa
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Perguntar a uma viajante se determinado lugar ou passeio, ou museu, ou praia vale é o mesmo que perguntar a um gaúcho se ele prefere vazio, ou costela no churrasco. Como sou gaúcha e gosto tanto de costela, quanto de vazio no churrasco, me propus ao debate: Grand Canyon de busão vale?

Em setembro de 2018, tirei alguns dias de férias nos Estados Unidos aproveitando que teria uma feira em Miami. Me juntei a uma amiga que queria visitar a irmã que mora em Los Gatos, próximo a São Francisco. O roteiro definido foi: Las Vegas, São Francisco, Napa Valley e Los Gatos. Como ambas já conhecíamos Las Vegas, depois de muitas horas argumentando, convenci a amiga a irmos no Grand Canyon. Ela já havia feito o passeio clássico de helicóptero que sobrevoa os canyons no pôr-do-sol e termina com um vôo sobre Las Vegas, à noite, com as luzes dos cassinos acesas.Ver de pertinho é uma experiência diferente de sobrevoar.

Minha primeira opção, por tudo que havia lido, era alugar um carro e fazer um bate e volta até a South Rim. O problema de ir ao Grand Canyon saindo de Las Vegas é a distância. Há mais de uma entrada oficial, sendo que a mais perto, cerca de 2,5 horas, chamada de West Rim, por obra da infame Lei de Murphy, é a que propicia a vista mais sem graça. Além de ser também a mais cara, com limitações até de fotografias no parador chamado Skywalk gerenciado pelo índios da tribo Hualapai Nation, que são responsáveis por essa área. De cara, achei que não valia a pena.

Se fosse para ir ao Grand Canyon, eu queria ir a South Rim. O ideal seria ter incluído um pernoite para explorar bem o parque. Então sobrou a opção de bate e volta: 4,5 horas de viagem, ou seja, 9 horas de bus. Bem pesado. Eu acho tranquilo alugar carro e dirigir, mas a minha amiga não curte, por isso, elegemos o tour de bus.

Há algumas empresas que fazem esse tour. Andando por Las Vegas nos deparamos com um quiosque da Grand Canyon Tour Company. Eles mesmos desencorajaram fazer o West Rim, dizendo que o verdadeiro Grand Canyon, aquele dos filmes, nós veríamos no South Rim. O tour incluía: transfer do hotel até o ônibus, café da manhã, ônibus luxuoso com wi-fi, parada para almoço e paradas para snack, parada no Hoover Dam e 4 horas para explorar o Grand Canyon, e finalmente, retorno direto no hotel. Aproximadamente 14 horas de tour. Bem pesado, porém: “The Grand Canyon at its best! The most spectacular views.”

Fazia muito tempo que eu não contratava um tour, ainda mais de busão. Tudo que podia dar errado, deu. Na saída, nosso ônibus estava com o banheiro estragado. Por isso, saímos com mais de uma hora de atraso. O motorista, se esforçou em ser agradável, fazendo o papel de guia e explicando tudo que tinha pelo caminho, e acelerando o pessoal para reduzir o atraso nas paradas para lanche e almoço. O wi-fi não funcionou. E o ônibus de luxuoso só tinha o nome no panfleto.

Apesar disso, quando chegamos no Grand Canyon, mesmo com tempo reduzido para umas 2,5-3h, o que eu vi, valeu todos esses perrengues. Certamente, um lugar que eu gostaria de voltar e poder explorar melhor, fazer trilhas, etc.

A volta, contando ninguém acredita. A porta do ônibus estragou e perdemos mais uma meia hora aguardando o motorista arrumar. A cereja do bolo, foi quando outro ônibus da mesma empresa quebrou e, por solidariedade, nosso motorista parou para dar assistência. A essa altura, metade dos turistas já ameaçavam ele, ligavam para o 0800 da empresa e pediam reembolso. Eu até tentei, mas nunca nem responderam meu email, nem SMS. Deixei minha revisão negativa açertando outros viajantes onde foi possível: Google, TripAdvisor, Facebook, etc.

Chegamos a Las Vegas, direto no nosso hotel, já passava da meia-noite. Foram 17 horas de tour. Um cansaço absurdo. Se perguntar para a minha amiga o que ela acha, primeiro ela vai me xingar novamente. Certamente, vai dizer que foi a maior roubada, pior perrengue da vida dela que coleciona carimbos no passaporte.

Se perguntar para mim: “Certeza que de carro teria sido melhor. E o Grand Canyon é demais! Que perrengue o quê?! Uma das vistas mais incríveis que eu já vi até hoje. E, humildemente, também tenho alguns carimbos no meu passaporte.” Por isso, lembre-se viajante: assim como sabor de sorvete ou time de futebol, gosto em viagem também é algo muito pessoal. Cada viajante com a sua bucktlist. Simbora dar checkins nesses sonhos.

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Fernanda Rosa
Fernanda Rosa

Publicitária por formação; marketeira em tempo integral e escritora nas horas vagas por amor. Leonina, porto-alegrense, pós-graduada em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas-RS; adora cinema, música, propaganda, jogar futebol, torcer pelo Colorado e cozinhar. Apaixonada pelo mundo, faz uma mala como ninguém.

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