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Andando sobre as águas: minhas férias em um cruzeiro pelo Caribe

Andrea Ribeiro
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Fazer um cruzeiro é como estar num filme da Sessão da Tarde. Pode nem ter sido sua primeira escolha, mas, quando você percebe… já é tarde demais! Impossível não se envolver com personagens, cenários, trilha sonora e até mesmo figurantes. Quando minha irmã e meu cunhado me propuseram a viagem, eu tive lá minhas dúvidas. “Ficar tanto tempo confinada num barcão daquele tamanho, sem poder sair… sei não”, respondi. “E se ficar entediada, e se enjoar, e se a comida não for boa… E se, e se, e se?” Bom. Resolvi que, sim, iria passar 7 dias num navio. Escolhemos o Norwedian Encore, com saída de Miami e quatro paradas pelo Caribe (aqui, todas as informações). Quer saber como foi? Vem comigo!

Sim, o navio é grande mesmo!

Bon Voyage!

Nosso navio saía no domingo à tarde e chegamos em Miami na manhã de sábado. Ainda no aeroporto, pegamos o carro que havíamos alugado pela internet pela Álamo. Foi rápido e fácil. Eles são muito organizados nesse tipo de serviço. Aproveitamos a estadia na cidade para fazermos algumas comprinhas de última hora. Nosso check-in no hotel era somente após às 15h, então resolvemos passar no Dolphin Mall. Não achamos muita coisa. O dólar a quase 5 reais não deixa os preços, digamos, muito apetitosos.

O Dolphin Mall mal fica a uns 15 minutos do aeroporto e tem lojas como American Eagle, Armani Exchange, Bloomingdale’s, Calvin Klein, Carter’s, GAP, Guess e assemelhadas. Tem passaporte com descontos para as lojas – você pode retirar gratuitamente na entrada.

Almoçamos e jantamos por lá. No almoço, fomos de comida mexicana e cervejinhas no Cabo Flats – você pode sentar lá numa mesinha, pedir uma cerveja e eles trazem uma porção gigante de nachos com molhinho apimentado na faixa. À noite, comemos pastas e bebemos drinks no Rotelli. Os preços eram salgados – mas tem água de torneira à vontade 😉

Ficamos no SpringHill Suites Miami Downtown/Medical Center, próximo ao aeroporto (uns 15 minutos de carro). O local é honesto, limpo e o sofá-cama onde dormi era confortável. O café da manhã é muito gostoso e farto. Vale a estadia.

Um passeio de van cinematográfico.

Wayne’s World – Quanto mais idiota, melhor

No dia do embarque – que seria a partir das 13h, fomos devolver o carro no aeroporto, bem cedinho. No caminho, passamos pelo porto e já deixamos as malas, o que foi uma grande mão-na-roda. Há um pessoal que recebe as bagagens e já encaminha para o navio. Eles esperam que deem gorjetas (demos 5 dólares), viu?

Devolvido o carro, vimos que as companhias de locação de carros faziam transfer até o porto gratuitamente. A van da Alamo já estava para sair – só tinha mais um lugar vago para sentar –, mas como estávamos sem malas (ueba!), o motorista concordou que eu fosse sentada e minha irmã caçula Mari e o meu cunhado Marco ficaram em pé (benefícios em ser a mais velha do rolê). A rádio estava numa seleção de anos 70/80. A van estava cheia – uma família americana, duas famílias latinas e nós três – e até aquele momento ninguém estava muito a fim de interagir. Mas então começou a tocar Bohemian Rapsody. Um cantava baixinho aqui, outro ali… Eu cantava mais ou menos alto. Eis que na parte rock, todos ficaram animadíssimos e cantaram juntos (menos o Marco, que tem vergonha). Não tenho registros*, mas foi mais ou menos assim:

*Preciso dizer que não tenho muitos registros da viagem porque meu celular deu pane e eu estava curtindo muito mais do que fazendo fotos e vídeos, se é que me entendem 🙂

Hotel Transylvania 3: Summer Vacation

A atendente que fez nosso check-in nos avisou que, a partir daquele momento, o cartão do quarto seria a única coisa da qual precisaríamos para fazer qualquer coisa dentro do navio. Nada de chaves barulhentas, dinheiro, cartão de crédito, passaporte, identidade… que alegria! Liberdade total!

Antes do navio partir, já estávamos lá dentro, explorando as áreas comuns, o que abrange conhecer os bares e seus drinks (o sistema era all inclusive de comidas e bebidas). Dito isso, vou às duas primeiras dicas com o que aprendi durante as sete noites no naviozão:

Se você não está com crianças ou com alguém que precise de cuidados diferenciados (mudas de roupa com mais frequência, alimentos específicos ou remédios), não se preocupe em levar mala de mão para o período em que fica fora da cabine: é pouco tempo e por ali haverá tudo o que precisar (só não esqueça o protetor solar);

Não beba tudo o que encontrar de uma vez só. Haverá bastante tempo. E, vai por mim, você não vai aguentar.

Fomos liberados para entrar nas cabines. Encontramos nosso quarto, que era composto de duas camas e… ué… cadê a terceira, na qual eu teria meus sonos de beleza? Vira, revira, aperta botões e nada! Fomos até o corredor e o camareiro do nosso andar estava lá. Chester (um filipino gente boa, mas com um inglês meio difícil de entender) nos informou que a cama era aberta, arrumada e fechada por ele, diariamente – ele abria à noite e fechava pela manhã, quando o quarto fosse arrumado. A dita cuja ficava no teto. No teto! Mas isso era assunto para depois. Vestimos nossas roupas de banho e nos mandamos para o deck da piscina. Não entramos porque estava cheia – o que se repetiu por todos os dias. Mas aproveitamos como se não houvesse amanhã. Lembra da dica número 2? A gente aprende com os erros, não é mesmo? 😉

Eu ainda estava meio desconfiada sobre como seria minha reação ao cruzeiro. Mas lembrei da minha resolução de ano novo: viver novas experiências com a mente aberta e o coração leve. Então, mais uma dica:

O segredo para curtir um cruzeiro é se jogar na experiência. Se está lá, aproveita mesmo! Participe das brincadeiras, se esse for seu perfil (se não se sentir à vontade nessas atividades, assista ou mesmo aproveite o tempo para por sua cabeça em ordem, por exemplo); use a estrutura para relaxar, sem culpa; conheça pessoas diferentes; treine seu inglês tosco… Vai por mim: não adianta encarar esse tipo de viagem se for ficar emburrada ou querendo estar em terra firme toda hora. É um cruzeiro. Você “anda” sobre as águas! Lide com isso e será muito feliz.

Marco, Mari e eu, anoitecendo no navio.

Em quase todos os andares há bares. Por isso, passamos o dia conhecendo vários deles. Todos bem cheios, por causa do all inclusive, é claro. Todo mundo se empolga com seu cartão que dá direto a bebida à vontade, então é normal alguma pessoa aleatória te oferecer algum drink. Nós recusamos porque, além de termos nossos próprios, tínhamos de estar firmes até a madrugada para fazermos jus ao hino do Kiss, “rock n’roll all night and party everyday”.

As festas e barzinhos no navio terminam, no máximo, às 2h. A única exceção era o The Social, baladinha comandada por um DJ, do qual não gostamos desde sempre. Às 2h do dia 1, portanto, fomos para nossa cabine – não sem meus veementes protestos baseados em… espumante.

 

Bloopers* – Vertigo (Um corpo que cai)

Nesse primeiro dia, não tanto pela bebida, mas pela escuridão da cabine e minha falta de jeito para descer escadas, caí do beliche. Me estabaquei mesmo! Por sorte, Mari e Marco estavam em camas separadas e eu caí no vão entre os dois. Não me machuquei graças ao decorador do navio, que colocou carpê em todos os cômodos (sou de Curitiba, não falo carpéte, ok?). Obviamente, durante toda a viagem meus companheiros se dirigiam a mim como “Um Corpo que Cai”.

*Erros de gravação

via GIPHY

Bastidores**

Se vocês, assim como eu, ficam se perguntando que roupas levar para um cruzeiro desse tipo, aí vão minhas observações:

– Eu usava maiô/biquini com saída de praia por cima durante o dia. À noite, vestido leve ou bermuda e camisetinha, ou uma saia com blusinha leve. Para homens, bermuda/calça e camiseta/camisa. Ou seja: roupas ajeitadinhas, mas sem essa de levar trajes chiques para “jantar com o capitão”. Afinal, não estávamos no Titanic (felizmente, já éramos passageiros das cabines internas, sem janelas… ou seja, éramos os Jacks da história).

– Uma bolsinha a tiracolo era minha companheira diária. Recheava com celular (eventualmente, no caso), balm para os lábios ressequidos e o cartão do quarto. Algumas pessoas, profissionais de cruzeiros, levavam o cartão numa espécie de porta-crachá de pescoço (uns toscos, outros com brilhos e talecoisa – ao gosto do freguês).

– O ar-condicionado do navio era friíssimo. Eu congelava todos os dias. Por isso, se você é friorenta como eu, não esqueça de levar um casaquinho leve ou então uma echarpe, se quiser ficar mais charmosa 😊

**Observações pertinentes – ou não

Ferris Bueller’s Day Off Curtindo a vida adoidado

Era o segundo dia e iríamos navegar até a manhã do dia seguinte. Estávamos cansados da viagem nos dias anteriores, então esse foi o dia perfeito para não fazermos nada e depois ainda dar uma cochilada, para nos prepararmos para a festa dos anos 80 no deck, à noite (ueba!). Depois do café (uma imensidão de waffles, ovos com bacon, sopas, feijões e o que mais imaginar), fomos procurar um lugar ao sol na área da piscina. Não achamos. Mas encontramos cadeiras de praia no segundo andar, com vista lateral para o mar. Foi excelente, porque não temos condição nenhuma de fazer como a maioria de nossos coleguinhas de embarcação, que torravam no sol sem nenhum pudor ou proteção.

Nossa maior distração era procurar “famosos”. Um navio é um micromundo. Então, você achará certamente alguns rostos semelhantes aos que já conhece. Por lá, vimos os doppelgängers de Lionel Ritchie (Hello), Arnold Schwarzenegger (bem mais magrinho), Sandra de Sá, Bernardinho, Eugene Levy (o pai do protagonista do American Pie), Danny DeVito, Rod Stewart (em duas versões – uma mais anos 80 e outra meio Ana Maria Braga), Lázaro Ramos, Tony Garrido, e assim vai. Se não havia ninguém famoso, inventávamos histórias para aqueles que passavam por nós.

Companheiros de viagem assistindo ao pôr do sol.

Depois do banho, bem cheirosos e descansados, estávamos adiantados para a festa dos anos 80, então fomos num outro barzinho para o esquenta: The District. Além de 50 variedades de cervejas e chopps artesanais, há ainda alguns drinks bem gostosos. E um show de piano com um cara chamado Jim Badger. O público é mais velho – bem mais velho. Mas divertidíssimo. Um grupo de mais ou menos 10 pessoas com idades entre 65 e 90 anos batia ponto lá diariamente. E, claro, era alvo de todas as brincadeiras de Jim, que também é humorista.

Saímos dali embalados para a festa dos anos 80. Eles são extremamente pontuais. Por isso, às 22h30, conforme constava em nossa programação, o DJ começou a festa. Ali, o público era o mais variado possível. Como diz minha irmã, “cruzeiro é do netinho ao vovô!” – e, creio, até alguns bisavôs. Essa foi a melhor festa de todas. E eu, claro, puxei o povo para dançar. Como não ficar empolgada? No telão, clipes das músicas que me encantam: Madonna, Michael Jackson, Tina Turner, Mc Hammer, Lionel Ritchie, Kiss entre outras maravilhosidades. Diversão garantida (para mim e meu grupo, pelo menos). Fomos praticamente os últimos a sair do deck.

Aliás, as festas são uma alegria a parte. Por isso mais uma dica:

Se já souber com antecedência que haverá festas temáticas, leve roupas/fantasias e quetais para entrar no clima. É bem bacana. E, não… Não levamos roupas dos anos 80, infelizmente. E nem celular, nesse dia. Registro zero de nossa animada participação, portanto. Deixo um exemplo de música/clipe da noite aqui: https://youtu.be/ovo6zwv6DX4?t=47

The Rum Diary – Diário de um Jornalista Bêbado

O terceiro dia era o primeiro de parada. Atracamos em San Juan, capital de Porto Rico, às 17h e teríamos de estar de volta, no máximo, às 23h. Nesses casos, é sempre importante verificar, antes de desembarcar, se estamos levando dinheiro, cartão e passaporte, ok? Na saída do porto (o mais movimentado do Caribe e um dos mais movimentados do mundo), pegamos um táxi a preço fechado (70 dólares para os três – sim, é caro, mas tínhamos pouco tempo e não compramos pacotes no navio – que certamente ultrapassariam os 100 dólares por pessoa). Visitamos o centrinho da Old San Juan e também umas quebradas por onde nos levou Ivan, que morava no bairro Cangrejos, local com a cerveja Medalla a 2 dólares e não a 10, como no centro.

Uopa! Uma descidinha em Porto Rico.

Na hora do pôr do sol, estávamos em Castillo San Felipe Del Morro, fortaleza de pedra construída entre 1539 e 1786 para proteger San Juan de ataques por mar. Até 1961, o local foi ocupado pelas tropas militares norte-americanas. Atualmente, El Morro faz parte da lista dos Patrimônios Históricos da Humanidade da Unesco. Belíssimo lugar para apreciar a vista e tirar fotos. No meio do caminho, Ivan nos mostrou o lugar que ele disse ser, no mar, o de maior profundidade e cujas águas fazem parte do Triângulo das Bermudas. Não consegui verificar a veracidade da informação. Se alguém souber e quiser compartilhar, fique à vontade nos comentários.


Estávamos com fome e decidimos jantar em San Juan, ates de voltar ao navio. Seguindo a dica de nosso amigão Ivan, fomos comer um mofongo no restaurante Raíces. Não nos arrependemos. Apesar do nome horrível, o mofongo é muito bom! É uma espécie de purê feito com banana-da-terra verde e frito. Pode ser recheado ou não. Claro que pedimos recheados. E claro que não conseguimos comer tudo! Um por pessoa é demais. Em três, no máximo precisaríamos de dois (fica aí a dica). Bebemos mojitos, feitos com a bebida tradicional do Caribe, o rum. Poderíamos ter pedido Piñas Coladas (as tradicionais de Porto Rico), mas ninguém do meu grupinho curte essa bebida – é docinha demais. Também tomamos uma Medalla Light, cerveja local bem leve e que não compromete.

O nome é feio, mas o mofongo foi aprovado. Viva!

Voltamos para o navio e ficamos no deck, onde estava passando Os Vingadores, aguardando a saída da outra embarcação atracada no mesmo lugar. Animados que ainda estávamos, resolvemos passar no bar The Cavern – que se tornou um nos nossos favoritos. Quando chegamos lá, a banda colombiana Guns  n’Rojas estava terminando o show com música dos Beatles. Mas ficamos para o karaokê – voltamos mais vezes durante o cruzeiro por motivos de: era muito divertido, o ambiente era gostoso e tínhamos mesa e cadeira para nos acomodar (a idade vai pesando, meus caros). Não cantamos, porque a fila era grande e é difícil competir com mulheres incríveis que cantam Try a Little Tenderness na moral ou divertem a plateia com Minie The Moocher!

Pirates of the Caribbean – Piratas do Caribe

No quarto dia, o Encore atracou em Charlotte Amalie, capital de St. Thomas, nas Ilhas Virgens Americanas, já às 5h30. Depois do café, desembarcamos e decidimos pegar uma van compartilhada para irmos à praia. Escolhemos a Saphira Beach. Pilotada pelo destemido Hakam, nossa van seguiu faceira pelas subidas íngremes, estreitas e buraquentas até chegarmos à famosa praia. Corações quase saíram pela boca. Estômagos quase produziram materiais que poderiam ser expulsos também. Mas somos aventureiros e, não só fomos, como voltamos a bordo da mesma van pilotada por Hakam. Chegamos a Saphira perto de 11h (não acordamos cedo, não, que não somos obrigados!) e deveríamos estar de volta às 15h no ponto de encontro para nossa aventura de volta.

Lagarteando em Saphira Beach: nem levantei para fazer foto 😉

A praia é linda. As águas são claríssimas – e geladas. Arreguei total e não consegui molhar além dos tornozelos, para a zombaria eterna de meus companheiros de viagem. O casalzinho mergulhou – e duas vezes! Disseram que depois que o corpo acostuma, a água fica boa. Não paguei para ver e fiquei na minha cadeira de praia, linda e na sombra, lendo um pouquinho.

Encontramos Hakam e nossos colegas de parada no local combinado e voltamos para o porto. Lá, existem várias lojinhas dutty free. Paramos para olhar souvenirs e joias (sim, há muitas joias, pedras preciosas e tal) e depois voltamos ao navio (que também tem lojinhas com mercadorias estilo dutty free, incluindo diamantes!) Tomamos banho, jantamos e fomos nos entocar no The Cavern para um tributo ao Depeche Mode. Chagamos atrasados, de novo. E ficamos para o karaokê – de novo.

 

Bastidores

Reza a lenda que Barba Negra, o pirata, vira e mexe passava por St. Thomas e usava a fortaleza Forte Christian (hoje chamada de Castelo do Barba Negra) para planejar ataques contra embarcações na região. Para quem gosta (não foi nosso caso), pode ser um local interessante para conhecer – no castelo há até uma estátua de Jack Sparrow em tamanho natural.

Big Lebowski – O Grande Lebowski

No quinto dia, chegamos às 6h em Tortola (Ilhas Virgens Britânicas). Tínhamos até 13h para estar a bordo novamente. Na hora do café da manhã – que já foi mais tarde, por volta de 9h –, fomos abarrotados por dois pecados capitais: gula e preguiça. Desembarcamos em Tortola, mas a viagem até as praias demoraria um pouco. Passamos nas lojinhas (é bem parecido com o que encontramos em St. Thomas), andamos pelas redondezas do porto e voltamos ao navio para o almoço.

Almoçávamos sempre no Garden Café, um buffet com vários tipos de cozinhas (oriental, italiano, latino, e, é claro, o americaníssimo hamburger e hot dog), que funcionava das 5h às 23h – na teoria. Uma vez, deixamos para jantar às 22h e, surpresa… Só havia pizza, nachos e hamburger.

Durante a tarde, fomos dar uma olhada nas atrações pagas do navio: o kart e o laser tag. As duas ocupam quase um terço da embarcação e, sinceramente, considero bem dispensáveis. Meu cunhado é o único que dirige e não se empolgou muito; eu não gosto de corrida de carrinhos e minha irmã não faz questão também. Pulamos o kart, portanto. O laser tag só funcionava à noite e a fila era cheia de crianças e adolescentes. Pulamos essa também, portanto.

Dia de SPA: eu e Mari, glamurosas, nas termais e no salar.

Eu e Mari nos inscrevemos, no dia anterior, para o que eles chamam de Lady’s Night, no SPA. O preço, pago à parte, foi de 50 dólares – sim, é caro, mas normalmente esse tratamento custa mais de 150 dólares. Às 19h30 estávamos lá, de maiô e saída de praia para fazermos uma aula de esfoliação do rosto e corpo e também para aproveitar as termas. Nos deram um roupão e nos encaminharam para dentro do SPA. Somente 6 mulheres se inscreveram e a aula foi bem simples – mas nossa pele, que estava ressecada pelo ar-condicionado do navio e pela exposição ao sol no dia anterior, agradeceu muito. Agora, o que agradou, mesmo, foram as terapias com água. Era uma piscina melhor que a outra. Já eram cerca de 20h30 quando nos jogamos às terapias aquáticas e havíamos combinado com o Marco de encontrá-lo às 21h para nos arrumarmos e ir para a Festa Glow, às 22h30, na piscina.

Nos arrumamos e fomos para a festa. Que não era grande coisa, porque nenhum de nós curte muito música eletrônica – e o DJ era aquele que não gostávamos. De qualquer forma, fomos ao deck, dançamos umas duas músicas (ou 5, são todas iguais) e fomos passear pelo navio, tomar uns drinks, ver o que estava acontecendo por lá. Sempre há o que fazer. Basta encontrar sua turma (a nossa era a dos cervejeiros e a do Cavern/karaokê – não nos julguem).

Brilhando na Festa Glow para depois ir assistir ao nosso programa preferido: o karaokê.

Bloopers

Estávamos tão empolgadas com o SPA, que esquecemos de levar roupa para trocar na saída dos banhos. Felizmente não se importaram em nos emprestar roupões. E os companheiros de navegação não estranharam tanto assim duas mulheres enroladas em grandes roupões de toalha.

La Dolce Vita

O sexto dia foi de navegação. O mar estava bem agitado. Muita gente ficou enjoada, algumas perdiam o equilíbrio, louças se agitavam nas mesas. Minha irmã tem cinetose (enjoo com movimento), então essa era uma situação que nos afligia um pouco. Ela enjoou no primeiro dia, mas muito pouco. Tomou remedinhos e ficou 100 por centa. Com o mar mexido, porém, a coisa mudou de figura. O enjoo e tontura foram bem mais fortes. Então, parto para mais uma dica:

Se você enjoa, leve os remedinhos que mais lhe ajudam nessa situação (procure um médico antes de fazer sua farmacinha particular para levar, tá?). Fora isso, é importante também se hidratar bastante (coloque limão espremido na água, por exemplo), comer alimentos leves (tomate faz um bem danado) e ficar fora da cabine (quanto mais ar fresco tiver, melhor). Respira: você vai superar!

Resolvemos que aproveitaríamos o tempo para relaxar (Mais? Sim!) e para ler (a Mari até tentou ler um pouco, mas…). Dessa vez, longe das piscinas, fomos ao Observation Lounge, com poltronas estilo chaise longue, na qual poderíamos nos esticar e apreciar a deliciosa e relaxante vista do mar e da cidade. O local serve café e alguns aperitivos, além de ter um bar. Pegamos nossos livros, pedimos nossos drinks e nos esparramamos (com todo respeito) nas chaises. Ah, o dolce far niente… Não tenha culpa. Descanse, relaxe, não pense em nada. Só deixe a vida (ou, no caso, o navio) te levar.

Se livre da culpa: fazer nada é bom demais!

Eu fui até a bilheteria do teatro e reservei um assento para assistir ao premiado espetáculo Kinky Boots – que, infelizmente, foi cancelado pelo excesso de movimento no navio, o que poderia causar incidentes com os atores no palco. Uma pena. Também havia outros espetáculos no navio, mas não me organizei adequadamente e perdi.

Com todos os cuidados para melhorar o enjoo e uma bela cochilada à tarde, Mari estava pronta pra outra. Fomos assistir ao Guns n’Rojas num tributo ao Frank Sinatra e, pontualmente às 22h30, estávamos no deck para a festa: uma junção das quatro bandas do navio.

The Blue Lagoon – Lagoa Azul

Dormimos cedo para aproveitarmos a manhã do dia 7, antes de embarcarmos para Great Stirrup Cay, que pertence à própria Norwedian, e fica nas Bahamas. Um barco nos levou até a ilha, onde ficamos lagarteando a aproveitando os benefícios do all inclusive para beber uma cervejinha e comer.

Neste dia, o céu estava bem nublado e a água, é claro, fria. Não entrei. De novo. Meus companheiros de quarto, sim. Corajosos! Como, aliás, 90% das pessoas que estavam ali. Eu é que sou arredia mesmo. Mas ficar observando as águas e o movimento já era suficiente.

Quando o mar começou a ficar mais agitado e as nuvens foram deixando o céu mais escuro, resolvemos voltar para o navio. Fila imensa para pegar o barco que nos atravessaria. Mas foi organizado e entramos razoavelmente rápido. O problema foi a agitação do mar. Estávamos nos últimos bancos e nos molhamos bem. Quando chegamos perto do navio, quem disse que o capitão do nosso transporte conseguia emparelhar o barquinho com o barcão? Demorou um pouco. Dá uma certa aflição, claro. Mas ficou tudo bem, no final.

No último dia, enfrentamos mar revolto para encostar no barcão na volta de Great Stirrup. Mas teve bonito pôr do sol.

Como chegamos mais cedo, resolvemos nos ajeitar e ir num restaurante diferente do habitual para jantar. Fomos no Taste (que é também all inclusive, no esquema entrada, prato principal e sobremesa, além dos drinks que são habitualmente servidos). Todos comemos muito bem, e fomos atendidos com muita delicadeza pela Maria, cuja nacionalidade esqueci, mas creio que seja da Indonésia.

Era a última noite e queríamos aproveitar ao máximo. Já havíamos arrumado as malas para deixar o navio no dia seguinte, às 8h. Perto da meia-noite, fomos a um bar de mojito onde a dupla Phil e Keysha fazia um show de músicas dos anos 70 para uma animada plateia numa faixa etária de 6 décadas. Obviamente, quando tocaram Stayin Alive me juntei a eles para dançar. Perto de 1h, meus companheiros de viagem resolveram ir dormir. Eu quis aproveitar mais. Sou apegada… Voltei ao District, assisti à parte final do show de Jim Badger. Os fãs estavam lá. Um casal estava saindo quando cheguei. Estavam comemorando, naquele dia, 57 anos de casados. Auguri!

Às 2h, como informado nos folhetos, acabou o show, o bar fechou, e sobrou apenas aquele com o DJ não apreciado. Mas era último dia, então, fui para lá com os remanescentes do District. É para aproveitar até o último minuto? Então, aproveitemos! Dancei sem me importar (muito) com a música e voltei para a cabine umas 4h.

 

Bastidores

A tripulação merece um texto à parte. São todos muito solícitos e vêm dos mais variados países: tem brasileiro, peruano, indonésio, filipino, russo, chileno, bósnio, grego… A jornada de trabalho não é bolinho! Vemos os mesmos rostos quase que o tempo todo. Da manhã à madrugada. Não havia um dia que algum deles passasse sem nos dar um bom-dia, good afternoon, buenas noches, ou nos perguntar como estava sendo nossa estada. Sempre com um sorriso no rosto. Deve ser difícil. Porque, olha, o que a tripulação tem de educação, muitos passageiros têm de falta dela. Tratam garçons e camareiras com desdém, deixam lixo jogado pelo chão, ocupam assentos destinados a pessoas com deficiência, soltam pum enquanto dançam nas baladas… Não sejam essas pessoas. Não custa nada ser educado, cumprimentar o pessoal que deixa tudo limpinho para você, o bartender que te faz o drink delícia, o vendedor da lojinha que quer te vender diamantes mas você só tem 10 dólares sobrando, o camareiro que troca seus lençóis e abaixa e levanta sua cama.

E se você se preocupa com a higiene no navio, tranquilita! Em todas as portas de restaurantes existe alguém da tripulação com um spray de álcool que não te deixa entrar sem uma espirradela: “washi, washi!!” Nas saídas e entradas das paradas do navio, além do spray entregam toalhas molhadas com algum produto de higienização. Claro: você também tem que fazer a sua parte e lavar as mãos após usar o banheiro 😉

Um adendo importante: Quando fizemos o cruzeiro, o coronavírus ainda não era uma realidade. Hoje, pelo que li a respeito, os cruzeiros estão com uma inspeção bem mais rigorosa nos embarques e desembarques. A Norwegian, por exemplo, proibiu passageiros e tripulantes que estiveram na China, Hong Kong e Macau 30 dias antes da viagem e reembolsará quem apresentar comprovante de viagem, segundo a CNN Business. É bom ficar de olho nas notícias e, se possível, replanejar sua viagem, caso a data esteja próxima.

Cenas dos próximos capítulos

Acordamos cedo, tomamos nosso último café no navio e desembarcamos. A volta definitiva à terra firme é um misto de alegria e nostalgia. Aquele agridoce que sentimos quando uma viagem chega ao fim. Como nos disse Maria, “É muito bom tê-los aqui conosco, mas ficamos tão felizes quando vocês finalmente vão para casa…”.

Só que nossa viagem não terminou. Ainda teríamos alguns dias em Miami. Mas isso é um outro filme 😉

Ps. Eu fiquei de parabéns e posso até ter uma plaquinha “Estamos há 26 dias sem cair da cama”.

Fim.

Pós-créditos: O que achou do post? Você já foi ou tem interesse em fazer um passeio de cruzeiro? Conta pra gente!

Trilha sonora

Um filme que se preze tem uma boa trilha sonora. Aí está a minha. Fiz com base em emoções ou situações que vivi no Cruzeiro. Se tiver Spotify, escuta lá 😊

Vai para o mundo – O Cruzeiro

Kokomo – The Beach Boys
Cruisin’ – Huey Lewis e Gwyneth Paltrow
Holiday Road – Lindsay Buckingham
Treasure – Bruno Mars
Bohemian Rapsody – Queen
I Wanna Dance with Somebody – Whitney Huston
Reggae Night – Jimmy Cliff
Uptown Funk – Bruno Mars
Prelude and Rooftop (Abertura de Um Corpo que Cai) – Bernard Hermann
Sailing – Rod Stewart
Diamonds are Forever – Shirley Bassey
Make ‘Em Laugh – Donald O’Connor
Rock n’Roll all Nite – Kiss
Livin’ La Vida Loca – Ricky Martin
Pirata da Perna de Pau – Furunfunfum
Comer, Comer – Patati Patatá
Sorry (Latino version) – Justin Bieber
Bailando – Enrique Iglesias
Is This Love – Bob Marley & The Wailers
Wake me Up – Acicii
Danza Kuduro – Don Omar, Lucenzo
Macarena – Los Del Rio
Stayin’ Alive – Bee Gees
My Way – Frank Sinatra
Minnie the Moocher – Cab Calloway
Try a Little Tenderness – Otis Redding
Girls Just Wanna Have Fun – Cindy Lauper
Dancing on the Ceiling – Lionel Ritchie
Vamos a la Playa – Righeira
Hello Goodbye – The Beatles
Norwegian Wood – The Beatles
Red Red Wine – UB40
Enjoy the Silence – Depeche Mode

 

 

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