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Os 12 Apóstolos vistos de Camps Bay

Uma semana de férias. Um feriado. Uma promoção de passagem. Foi assim, sem muito planejamento, que fui parar na África do Sul por dez dias em novembro de 2016. O roteiro acabou ficando enxuto, mas permitiu conhecer os principais pontos das duas maiores cidades do país: Cape Town e Joanesburgo. Compartilho agora com vocês um pouco do que foi essa minha primeira experiência no continente africano.

 

O bairro de Bo-Kaap

Do Brasil, há voos diretos para Joanesburgo pela Latam, Avianca e South African Airways, saindo de São Paulo. A viagem dura cerca de 11 horas. Optamos por chegar no aeroporto e já seguir viagem para a Cidade do Cabo, em um voo interno de 2 horas pela Mango. Ficamos hospedados no Bo-Kaap, um bairro de casinhas coloridas super fofo, perto do Centro.

O que fazer em cinco dias na Cidade do Cabo

Dia 1: Começamos a viagem visitando a Table Mountain, ou Montanha da Mesa, um dos principais pontos turísticos de Cape Town. Lá de cima, é possível ter uma vista completa da cidade, com destaque para Camps Bay, o Green Point, um dos estádios que sediaram jogos da Copa de 2010, e a Robben Island, ilha onde Nelson Mandela ficou preso por 18 anos. Se o tempo estiver bom, recomendo subir a montanha logo no primeiro dia, por garantia, pois o teleférico fecha em dias nublados ou se ventar muito (e o clima em Cape Town é bem instável). Para fugir da fila, você pode comprar o ingresso do teleférico pela internet.

Do alto da Table Mountain

Lion’s Head, o estádio de Green Point e a Robben Island vistos da Table Mountain

Terminamos o dia caminhando pelas praias de Clifton e vendo o pôr do sol na praia de Camps Bay, de onde se tem uma vista linda das montanhas que margeiam a orla, como a Table Mountain, os 12 Apóstolos e o Lion’s Head. O mar é bem forte e gelado, e venta bastante, então, pelo menos em novembro, achamos meio difícil ficar na praia.

Dia 2: Fomos ao parque Green Point, onde vimos o estádio por fora, e depois seguimos para o Victoria & Alfred Waterfront, um grande complexo gastronômico, comercial e cultural criado após a revitalização da zona portuária. O espaço conta com restaurantes, museus, lojas, roda gigante, e só caminhar por ali já é uma atração a parte.

Table Mountain vista do Waterfront

Visitamos o Springbok Experience Rugby Museum, que conta a história do esporte mais popular do país e de como o rugby foi importante para unir os sulafricanos após o fim do apartheid (tema do filme Invictus, de Clint Eastwood).

Também é do V&A Waterfront que partem os barcos para a Robben Island, que hoje funciona como museu. Na alta temporada, os tours partem quatro vezes por dia (9h, 11h, 13h e 15h) da estação ao lado da Clock Tower. Recomendo adquirir o ingresso pela internet, antecipadamente, pois na bilheteria pode não haver horários disponíveis para o mesmo dia.

  
Robben Island e a cela onde ficou Mandela

A visita à Robben Island foi uma das experiências mais incríveis que já vivi. Nosso guia era um ex-prisioneiro, que por sete anos também frequentou a prisão de segurança máxima. Enquanto nos mostrava as antigas celas, ele contou como era o cotidiano na ilha e no país. Durante o apartheid, havia diferenciação até entre os presos de Robben Island. Mestiços e asiáticos comiam mais e melhor. Os africanos “originais”, chamados Bantu, tinham direito a menos comida. E apenas um branco ocupou a prisão nesse período. Os líderes, como Nelson Mandela, ficavam isolados, em celas minúsculas, para evitar o repasse de informações. Saiba mais.

A praia de Muizenberg

Dia 3: Seguimos de carro pela Península do Cabo até o Cabo da Boa Esperança, o ponto mais a sudoeste do continente africano. O trajeto dura cerca 1h30, mas se programe para um passeio de dia inteiro, pois o legal é ir parando nas diversas praias. Algumas delas são Muizenberg, que tem lindas casinhas coloridas, Hout Bay, de onde saem barcos para visitar a ilha das focas, e a Boulders beach, onde ficam colônias de pinguins africanos. Optamos por não conhecer a ilha das focas por dois motivos: já tínhamos visto alguns animais no Waterfront e na própria Hout Bay, e porque o mar é extremamente agitado. Eu fiquei muito enjoada no trajeto até a Robben Island, então não quis arriscar.

  
Foca em Hout Bay e pinguins em Boulders beach

Para acessar a praia dos pinguins, paga-se cerca de 150 rands. Já para acessar o parque onde fica o Cabo da Boa Esperança é preciso desembolsar 300 rands por pessoa. Recomendo chegar cedo, pois os trajetos a pé são longos. É possível caminhar até o farol e sobre o cabo, pela parte de cima, por exemplo. Mas se o tempo estiver apertado, como no nosso caso, também dá para acessar a famosa placa com o nome do local por uma estrada, de carro. Mais informações em http://capepoint.co.za

  
O Cabo da Boa Esperança

Na volta ou na ida, não deixe de pegar a Chapman’s Peak Drive, uma estrada cheia de curvas e túneis, margeando um paredão de pedras, que oferece um lindo panorama da península. Recomendo parar em algum dos mirantes para assistir o pôr do sol e admirar a vista do mar, mas não esqueça de levar um casaco!

Chapman’s Peak Drive

Dia 4: Conhecemos duas vinícolas: Groot Constantia, na região de Constantia, e Spier, em Stellenbosch. Para quem gosta de vinho, é um passeio que vale a pena, pois a África do Sul dispõe de boas (e baratas) opções da bebida.

Terminamos o dia subindo a trilha do Lion’s Head, um dos principais picos de Cape Town, de onde se tem uma vista da Table Mountain de frente. Lá do alto, a sorte é pegar um dia de muitas nuvens no topo das montanhas. O visual é incrível! Mas para completar o percurso é preciso disposição: são cerca de 600 metros de subida, bem íngremes no final, com ventos que quase te derrubam. Levamos cerca de 1 hora e 20 minutos para chegar ao topo, e descer depois do pôr do sol foi bem tenso!

  
Subida do Lion’s Head  e a vista da Table Mountain do alto da montanha

Dia 5: Em nosso último dia na Cidade do Cabo, fomos visitar o centro e alguns prédios históricos, roteiro que pode ser feito todo a pé. Um dos pontos que mais gostei foi o Museu do Distrito Seis, que conta a história das remoções que foram impostas aos negros que habitavam a região durante o apartheid.

Museu do Distrito Seis

A poucos quarteirões de distância fica o Museu da Escravidão, que também parecia muito interessante, mas não conseguimos visitar. Então fique atento com o horário: os museus fecham cedo, entre 16h e 17h. Também recomendo passar pela Greenmarket Square, uma feira que tem muitas opções de artesanato e lembrancinhas. Inclua ainda no roteiro o Castelo da Boa Esperança e The Company’s Garden. O bairro de Bo-Kaap, onde ficamos hospedados, também vale uma visita. E à noite, não deixe de ir à Long Street, rua cheia de bares e restaurantes que funcionam em lindos prédios antigos.

  
Table Mountain vista do Company’s Garden e bar de cerveja artesanal na Long Street

Na sequência, passamos quatro dias em Joanesburgo antes de voltar para o Brasil. Mas isso é assunto para o próximo post 😉

Onde comer e beber

Dos restaurantes que conhecemos, recomendo três:

O Marco’s African Place, uma boa opção para provar pratos típicos, como a carne de alguns antílopes, de avestruz ou de crocodilo. Para quem quiser ousar, sugiro pedir a “cerveja” especial típica, que vem numa imensa vasilha de cerâmica.

O Beerhouse, para quem gosta de cerveja artesanal. O bar tem vários rótulos sulafricanos e ainda oferece uns fones de ouvido para que cada cliente escute a música que quiser. Achei bem diferente!

O Addis in Cape, que serve comida etíope. Bem interessante conhecer a culinária desse outro país africano e mais ainda a forma de comer. No lugar de talheres, eles usam a injera (que parece uma grande tapioca) para envolver a comida e levá-la à boca.

 

Encare a mão inglesa

Alugar um carro é uma excelente opção para visitar as duas cidades. Mas lembre que a África do Sul exige a carteira de motorista internacional. No nosso caso, foi bem importante providenciar o documento porque fomos vítimas de uma tentativa de extorsão em uma blitz policial em Joanesburgo.

Tínhamos acabado de sair do aeroporto Oliver Tambo quando fomos parados. Como estávamos um pouco perdidos, seguindo as orientações do GPS, (e dirigir na mão inglesa também é mais complicado) acabei mudando de pista um pouco em cima da ilha pintada no chão. Foi o suficiente. Segundo o policial, havíamos feito uma conversão perigosa e deveríamos pagar multa de 1.000 rands, o que equivalia a quase R$ 300.

Ficamos um pouco surpresos, mas aceitamos. Só quando expliquei ao policial que a multa deveria ser encaminhada à locadora do carro, para que pagássemos depois, descobri que era, na verdade, um caso de corrupção. Ele queria que pagássemos na hora, em espécie. Argumentei que não tínhamos o dinheiro, pois havíamos acabado de chegar. E ele então foi diminuindo o valor da “multa”, para ver quanto poderíamos pagar. Em todo momento, dizia que tínhamos feito uma coisa errada e que iríamos para a delegacia.

Nossa decisão (debatida em português na frente do policial) foi não ceder. Coloquei o cinto e disse que o seguiríamos até a delegacia. Ele então desistiu. Rasgou o papel que tinha preenchido e disse que daquela vez ia deixar passar, mas que deveríamos dirigir com mais atenção. Imagino que se, na abordagem, não tivéssemos mostrado o documento exigido, teríamos de fato levado uma bela multa ou cedido à extorsão.

Apesar de a situação não ser rara (poderia facilmente acontecer em alguma cidade brasileira), passar por isso em um país estranho é um pouco assustador. E imagino que blitz como essa sejam montadas na saída do aeroporto justamente para pegar turistas, que seriam mais suscetíveis a pagar a quantia exigida. Minha dica é: cumpra todas as exigências, tenha todos os documentos em mãos e não caia nesse tipo de golpe!

Para mais informações sobre a Permissão Internacional para Dirigir (PID), clique aqui.

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Ana Reyes
Ana Reyes

Carioca, vive equilibrada entre o trabalho em São Paulo e a vida no Rio. Workaholic ansiosa pelo próximo destino de férias, busca conciliar o medo de avião com a vontade de ir sempre mais longe. Descobriu no marido, capixaba, o parceiro ideal com quem quer conhecer o mundo. Jornalista e professora de História, gosta de flanar por grandes cidades e experimentar o cotidiano de cada lugar.

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