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Tomb Rider Days – parte 1

Fernanda Rosa
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Em 2012 embarquei na minha primeira grande aventura solo: o Sudeste Asiático. O plano nasceu por causa de uma viagem de trabalho: eu tinha uma feira em Singapura e na sequencia ficaria alguns dias em Hong Kong e Shenzhen. Partindo de Hong Kong, começariam as férias, 20 dias, sendo 10 dias num tour por Vietnã e Camboja da Imaginative Traveller, e encerrando em Bangkok na Tailândia. De lá, os outros 10 dias seriam realmente sozinha, visitando Krabi, Ko Phi Phi e Phuket. Por uma peça bem pregada pelo destino, essa segunda etapa não aconteceu.

Muitas pessoas me perguntaram por que eu estava indo para o Camboja e o Vietnã, afinal há sete anos eram destinos muito menos badalados do que hoje. Do meu círculo de amizades, eu fui a primeira pessoa a visitar esses países. Confesso que a motivação maior era o Camboja e não foi porque eu fui uma ávida jogadora de Tomb Rider. Uma das minhas melhores amiga morou lá no início dos anos 2000 por causa de trabalho. Ela fez carreira em ONGs e seu primeiro emprego foi na ADRA como Diretora Regional do Camboja. Não consigo imaginar o que ela viveu ao chegar no Camboja 12 anos antes e apenas 20 anos após o fim do Khmer Vermelho.

As mesmas pessoas que me perguntaram porque ir para o Sudeste Asiático – pobre e perigoso era o que eu mais ouvia – me aterrorizaram tanto que além daquela farmacinha recheada, nas vésperas tomei vacinas para hepatites A e B, tétano (reforço  e nem lembro mais o quê). Mas o meu grande medo, era a malária, doença sem vacina e sem cura. Levei dois dias de viagem para abandonar a manga longa e as calças compridas num calorão infernal. Sempre tem os desmancha-prazeres de plantão.

O Camboja foi fascinante, muito além do que eu esperava. Não sei descrever bem o principal motivo, é uma mescla de tudo: natureza exuberante, história, povo. Ah, o povo. Poucos locais me senti tão acolhida. O cambojano tem prazer em receber o turista, sempre prontos para compartilhar um sorriso sincero, roubarão seu coração. Uma viagem que enriqueceu meu espírito e provocou mudanças definitivas no meu status quo. Até hoje, é um país que eu quero voltar. Para começar por causa da história. Todo o Sudeste Asiático tem períodos que se sobrepõe, deixando uma verossimilhança que não faz justiça a cultura individual. Tanto que eles mesmos brincam de “Same, same, but different”, que vale para a comida, costumes, idioma, religião, etc. de cada país.

O tour começou por Phnom Penh. Uma vez considerada a Paris do Oriente, é uma cidade emocionante e absorvente, com scooters lotando suas ruas, barulhentas, enquanto na calçada vemos um monge caminhando absorto à modernidade que desperta na cidade.

Fiquei 2 noites na cidade e além do Palácio Real e alguns templos como o Wat Phnom num tour em pequenos carrinhos puxados por uma bicicleta, uma benção no calor úmido. Mas o o ápice da cidade foram as visitas ao Centro do Genicídeo (Choeung Ek Genocidal Center) famoso pela torre de crânios das pessoas executadas no local, e ao Museu do Genocídeo (Tuol Sleng Genocide Museum), que costumava ser uma escola transformada em prisão durante os anos da ditadura de Pol Pot. São visitas pesadas, duras, que realmente mexeram comigo.

A história triste e inacreditável do regime de Pol Pot, o Khmer Vermelho, que matou dois milhões de pessoas em 20 anos pode ser vista no filme “Primeiro, mataram meu pai”, dirigido por Angelina Jolie. A atriz inclusive desenvolveu uma ligação especial com o país ao filmar cenas de Tomb Rider em 2001 e adotar  seu filho mais velho.

Por fim, se tiver tempo e gostar de mercados locais, pare no Psar Thmei (Mercado Central), projetado em art déco, ou vá até o Psar Tuol Tom Pong (mercado russo) para ver uma melhor variedade de artesanato local.

E conselho de viajante para viajante: não caia na conversa dos desmancha-prazeres de plantão. Pobreza e subdesenvolvimento não é sinônimo de viagem perrengue. E não, não peguei malária. Logo, retorno com a parte dois dessa viagem que mora eternamento no meu coração.

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Fernanda Rosa
Fernanda Rosa

Publicitária por formação; marketeira em tempo integral e escritora nas horas vagas por amor. Leonina, porto-alegrense, pós-graduada em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas-RS; adora cinema, música, propaganda, jogar futebol, torcer pelo Colorado e cozinhar. Apaixonada pelo mundo, faz uma mala como ninguém.

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