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Planejar uma viagem para um país desconhecido é sempre uma aventura. Normalmente costumo falar com amigos que já tiveram no lugar para pegar algumas dicas, leio blogs de viagens, vejo vídeos. Entro em comunidades virtuais, como o Couchsurfing, e falo com pessoas locais para ter uma visão diferente da tradicional turística. Enfim, consulto diversas fontes de informação e avalio o roteiro que fará mais sentido para mim durante a viagem. Além disso, leio sobre as leis e costumes locais, para me virar e não ser presa…kkk.

Mas para mim, a hora mais difícil do planejamento de uma viagem é decidir quantos dias ficar em cada cidade. A gente vai vivendo, aprendendo e se conhecendo. E nessa jornada aprendi que não faz sentido nenhum ficar menos de 2 dias em nenhuma cidade, por menor que ela seja. Se for para dormir apenas uma noite, já prefiro fazer um bate-volta e não perder tempo com malas para cima e para baixo entre check in e check out de hotéis.

Como já escrevi em outros posts aqui no blog, este ano tive a oportunidade de conhecer a África do Sul, país que me surpreendeu em todos os aspectos e me fez ver a vida, as pessoas, e o mundo de uma forma diferente.

E planejar uma viagem de 30 dias pela África do Sul inicialmente parecia ser muito tempo, achei que faria tudo com muita calma, sentiria até tédio e vontade de voltar para a casa. Quando comecei a pesquisar as atrações do país, percebi que 30 dias seriam corridos para fazer tudo o que gostaria e é claro teria que abrir mão de alguns destinos. Isso porque, a África do Sul tem absolutamente tudo o que eu curto: praia, montanhas, natureza, animais, vilarejos fofos, cidade grande, paisagens de tirar o folego, história, arte, cultura, vinícolas lindas e deliciosos vinhos sul africanos, é claro 🙂 . Impossível se entediar com tanta opção de coisas para fazer e não agradar a diferentes gostos.

Bom, mas como falei para vocês o meu dilema quando planejo uma viagem é a quantidade de dias que me hospedo em cada lugar. Nesta viagem tracei uma rota, mas deixei mais livre o cronograma para viver mais os lugares e ficar mais tempo onde gostasse mais e menos onde eu não curtisse. E o meu roteiro ficou assim:

Cape Town / Cidade do Cabo (14 dias) – a cidade é linda, tem montanha, natureza, praia, bons restaurantes, lojas, história, cultura e uma ótima estrutura de entretenimento para o turista. Os principais pontos turísticos são a Waterfront (centro de entretenimento) e a Table Mountain (montanha em formato de mesa), e próximo a cidade dá para visitar o Cape Point (Cabo da Boa Esperança), a famosa praia dos pinguins (Boulders Beach) e das casas coloridas (Muizenberg Beach), e as vinícolas. Gostei tanto de Cape Town, que tive dificuldades de seguir para o próximo destino, neste post falo mais sobre a cidade.

Port Elizabeth (2 dias) – eu particularmente não curti a cidade, mas tenho amigos que adoraram o lugar. Enfim, como tudo na vida é gosto e estilo de vida. Eu acabei indo porque tinha comprado um voo de lá à Johanesburgo e queria conhecer uma praia do Oceano Índico. Neste caso, acho que valeria apenas uma noite por lá. A cidade tem cassino (não curto), praia (não é tão bonita quanto as de Cape Town), um passeio histórico pelo centro da cidade (achei feio e nada interessante). Próximo a cidade tem alguns parques de aventura e safáris, mas não fui porque meu objetivo era ir no Kruger Park (o mais famoso da África). E pelo que percebi a maioria dos turistas usa a cidade como um local de transição da Garden Route (rota pela costa sudeste do país) para Johanesburgo ou Cape Town, por causa do aeroporto.

Cradle of Humankind / Berço da Humanidade (1 dia) – dá para fazer um bate-volta de Johanesburgo ou parar no caminho de Johanesburgo para o Kruger Park, foi o que eu fiz. O Berço da Humanidade é um parque com sítios arqueológicos, patrimônio da Unesco. Conheci o Maropeng Visitors Centre, museu interativo muito bacana que fala da origem da terra à evolução da nossa espécie. Logo na entrada fui surpreendida com diversas estátuas em tamanho real de todas as pessoas que lutaram pela liberdade da África do Sul. Com certeza foi um dos monumentos mais impressionantes e emocionantes que já vi. E visitei as cavernas de Sterkfontein, onde é possível entrar dentro das cavernas e ver as escavações de fósseis, uma experiência única, recomendo. No caminho para o Kruger Park, no meio do nada, tem um outro sitio arqueológico, nada turístico, mas com uma paisagem linda, montanhosa e cheia de cavernas, vale a pena a visita. Esses lugares só são acessíveis de carro. Dá para alugar no aeroporto de Johanesburgo ou comprar um passeio que faça esse roteiro.

Kruger Park (2 dias) – o mais famoso safári da África do Sul merece no mínimo 2 dias inteiros. Neste post conto tudo sobre a minha experiência no Kruger.

Suazilândia (2 dias) – um país bem pequeno entre a África do Sul e Moçambique. Muitos turistas só cruzam ele para ir do Kruger a Durban (cidade litorânea), mas vale a pena uma parada no país que é no mínimo curioso. Considerado uma das últimas monarquias absolutistas no mundo, o rei anualmente escolhe a sua nova esposa numa cerimônia onde milhares de mulheres virgens seminuas dançam para ele. Atualmente ele tem mais de 14 rainhas. A Suazi (como as pessoas chamam o país), apesar de ter características culturais bem diferentes, é um lugar igual a qualquer outro, tem supermercado, lojas, marcas internacionais, leis etc. A paisagem é montanhosa e rural. As cidades são pequenas, mas oferecem uma boa estrutura para o turista. As atrações turísticas são atividades de ecoturismo, montanhas, safáris, e a imperdível visita a vila cultural que reproduz antigas tradições do país. Lembra bastante uma tribo indígena do Brasil.

Johanesburgo (3 dias) – a cidade é cheia de história, bem cosmopolita, rica, linda, muito perigosa e cheia de contraste social. Foi a primeira vez na vida que só andei de uber e tours em uma cidade. Mesmo em bairros luxuosos você sente medo de andar pela rua, o clima é mega tenso, eles não recomendam que os turistas andem pelas ruas sozinhos. Superada a crise da insegurança constante e que se vai gastar fortunas em uber e tours, a cidade surpreende. Johanesburgo lembra muito São Paulo, porém é mais bonita, arborizada e luxuosa, não me lembro de ter visto tanto carro conversível na vida em uma mesma cidade. Ela é enorme, tem uma mistura de ar moderno e histórico, que eu adoro. Dá para conhecer os principais pontos turísticos em 2 dias, usando o ônibus de turismo, além de sair mais barato que pagar uber. Eu não recomendo dirigir pela cidade. Pode ser um pouco tenso, devido a cidade ser bem insegura e você não conhecer o lugar.

Principais deslocamentos:

  • Brasil para a África do Sul: 2 dias ida + 2 dias volta. Observe as escalas e o fuso horário.
  • Johanesburgo para o Kruger: 1 dia ida + 1 dia volta
  • Cape Town para Garden Route: 1 dia ida + 1 dia volta

 

Se você tem poucos dias para conhecer o país sugiro:

2 dias em Johanesburgo + 1 dia no Cradle of Humankind + 2 dias no Kruger Park + 5 dias em Cape Town

 

Vivenciar outras culturas abre a cabeça, faz a gente refletir sobre a nossa própria forma de viver e nos transforma a ser pessoas melhores. Para mim viajar é muito mais que visitar pontos turísticos é mergulhar num mundo de possibilidades para observar e vivenciar visões de mundo diferentes. Porque não existe certo ou errado e sim formas diferentes de olhar.

Vai para o mundo se aventurar na África do Sul! 🙂

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Carol Risueño
Carol Risueño

Viaja sozinha com uma mochila nas costas, com a inquietação de descobrir pessoas, culturas e lugares diferentes. É curiosa, quer sempre saber o que tem do outro lado, adora o desconhecido e desafiar seus medos. Ama natureza, praia, cultura e uma boa aventura. Monet, pintor impressionista francês, é seu grande ídolo. Relações Públicas, gaúcha, pisciana. Acredita que viajar torna as pessoas melhores e mais felizes.

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