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A vida é sábia e ela vai nos preparando aos poucos para aquilo que um dia iremos nos tornar. Comecei a viajar sozinha a trabalho há quase 10 anos atrás. Quando pegar um avião (só tinha viajado 2 vezes de avião na vida, até aquele momento), dormir em hotéis, fazer refeições sozinhas, falar com pessoas desconhecidas e conhecer lugares que nem sabia que existiam, era uma sensação estranha e excitante para mim. Mas com o tempo, comecei a gostar dessa rotina, tanto que nem percebia a decolagem e a aterrissagem do avião e não achava mais tão solitário fazer refeições sozinha.

Depois comecei a viajar sozinha nas férias, para encontrar amigas que moravam em outros lugares do Brasil. Lembro, que fui visitar uma amiga que morava em Brasília e depois encontrei uma outra no Rio de Janeiro. E aos poucos fui me experimentando e me sentindo mais segura, e percebendo que viajar sozinha não era tão complicado e estranho assim, mas que poderia ser legal.

Comecei de fato a mudar o meu estilo de viajar, após uma viagem que fiz com uma amiga para Buenos Aires, na Argentina. Ela simplesmente conseguiu ser a pior companhia que alguém poderia ter em uma viagem. Reclamava de absolutamente tudo e todos, que era frio, calor, que caminhava muito, que queria descansar e dormir. Enfim, tudo era um saco e eu só pensava: ‘Mas porque diabos essa guria não ficou em casa dormindo nas férias e veio aqui estragar a minha viagem?’ Era a minha primeira viagem internacional de verdade (antes, só tinha ido para a fronteira do Uruguai e Paraguai), e eu queria curtir cada segundo daquela cidade linda. Eu pensava em dormir e descansar na minha casa, não em Buenos Aires, né gente?! Afinal o câmbio é caro e me desculpa, mas não viajo para dormir. 😉 Enfim, só me estressei com ela, não relaxei, a gente brigou e a nossa amizade acabou se distanciando. Então pensei que não fazia sentido viajar com alguém só para ter uma companhia e decidi que nas minhas próximas férias eu viajaria sozinha.

Então comprei uma passagem em promoção para Salvador, na Bahia, e fui para Morro de São Paulo, ser feliz! ? Depois de 3 horas em alto mar, dentro de um catamarã que parecia que ia virar a cada onda mais forte, e morrer de tanto enjoo, finalmente cheguei no paraíso. Me hospedei no Che Lagarto, que é uma rede de hosteis (hotel com opções de quartos compartilhados) super bacana que tem em vários países da América Latina. Eles organizam passeios e festas de todos os tipos para os hóspedes, e foi assim que fiz meus primeiros amigos pelo mundo. 🙂

Viajar para Morro de São Paulo, foi o melhor destino que eu poderia ter escolhido para fazer a minha primeira viagem solita. O hostel era ótimo e a maioria dos hóspedes estavam viajando sozinhos como eu. E, em nenhum momento eu me senti sozinha. Relaxei na praia, me aventurei em trilhas, me diverti nos luais na beira da praia com pessoas de diversas partes do Brasil e do mundo que se tornaram meus amigos.

Super me conectei com a vibe de Morro, praias, nativos, hostel e com aquelas pessoas cheias de histórias, que viajavam com uma mochila nas costas se aventurando pelo mundo, completamente desapegadas de todos os padrões sociais que eu conhecia até então. E pensei, é isso que eu quero ser quando eu crescer…kkk E hoje, a maioria das viagens que faço é sozinha, no modo BBB (Bom, Bonito e Barato), com uma mochila nas costas. Cheia de vontade de conhecer pessoas e lugares diferentes que não estão em nenhum guia de turismo.

15 dicas para começar a viajar sozinho

Para ajudar a você a começar a viajar sozinho, preparei algumas dicas de sobrevivência, para as amigas e amigos de primeira viagem. 😉

  1. Escolha o próximo feriado que estiver no calendário. E comece com uma viagem de poucos dias para você perceber como vai se sentir sozinho.
  2. Vá para um destino badalado no Brasil, que tenha praia e festa. Sugiro Florianópolis, Rio de Janeiro, Búzios, ou os principais destinos do Nordeste. E Morro de São Paulo, na Bahia, é claro.
  3. Reserve um quarto compartilhado em um hostel. Ficar em hostel facilita conhecer pessoas para combinar passeios e baladas.
  4. Sempre comente com a recepção do hostel o lugar que gostaria de conhecer, e pegue dicas de como chegar de forma barata e segura. Normalmente eles têm cupons de descontos com restaurantes e bares da região.
  5. Se for para uma cidade grande, procure fazer os Free Walking Tour pela cidade. É uma ótima forma de fazer amigos, além é claro de fazer um passeio guiado pela cidade pagando o valor que você achar justo ou puder pagar. Informe-se sobre os tours no seu hostel.
  6. Use uma doleira para guardar seu dinheiro e documentos durante a viagem.
  7. Guarde seus objetos de valor no armário com cadeado no hostel.
  8. Na praia, procure ficar próximo do salva-vidas ou estabelecimentos comerciais, e peça para eles olharem seus pertences enquanto você se refresca no mar.
  9. Para você conseguir bater aquela foto digna de postar nas redes sociais, peça para um turista com câmera profissional bater uma foto sua.
  10. Se for fazer uma viagem internacional sozinho, comece por países que falem uma língua que você consiga se comunicar sem grandes dificuldades.
  11. Para começar, escolha lugares mais estruturados e seguros como Estados Unidos e Europa, que possuem uma estrutura bacana para o turista.
  12. Leia sobre o lugar que deseja conhecer, certifique-se de como é a cultura local, a segurança e a legislação (as leis para consumo de bebidas alcoólicas variam bastante, por exemplo)
  13. Verifique os documentos (passaporte, visto, etc) e vacinas (Febre Amarela, etc) necessárias.
  14. Planeje seu roteiro com antecedência. O quanto antes você comprar sua passagem e reservar a hospedagem, mais chances terá de economizar.
  15. Faça uma mala para 7 dias independente do tempo da sua viagem e leve o mínimo de coisas possível. Dessa forma você terá mais mobilidade no deslocamento.

Viajar sozinha foi uma forma de romper padrões sociais que nunca fizeram sentido para mim. Além de ser uma ótima oportunidade melhorar o meu autoconhecimento, enfrentar meus medos, testar meus limites, me sentir completamente livre para tomar as minhas decisões no meu tempo e de desapegar completamente do julgamento das pessoas.

E foi assim, que fui me descobrindo, me conhecendo, me experimentando e me libertando dos padrões da sociedade. E comecei a caminhada de me tornar a Caroline, que sou hoje.

Nas minhas viagens, conheci muitas pessoas interessantes de países diferentes, que provavelmente jamais teria a oportunidade de conhecer. Pessoas que já tinham viajado o mundo com uma mochila nas costas, outras que estavam se experimentando como eu. Mas todos cheio de vontade de conhecer o que o mundo tem de melhor para nos oferecer.

Muitas vezes escutei de pessoas conhecidas e estranhas: “Coitadinha dela, está viajando sozinha, não tem amigos.” E na verdade, viajar sozinha não está conectado a ter ou não ter amigos, e sim com as escolhas que fazemos nas nossas vidas, em se sentir bem consigo mesmo, com a sua própria companhia, e com a sua capacidade de ser dono da sua vida e dos seus destinos.

E hoje o que me dá mais tesão quando eu viajo, é justamente poder colocar uma mochila nas costas com pouco planejamento, e sair por aí descobrindo o mundo sem medo de ser feliz. 🙂

 E aí, vai para o mundo viajar sozinho?

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Carol Risueño
Carol Risueño

Viaja sozinha com uma mochila nas costas, com a inquietação de descobrir pessoas, culturas e lugares diferentes. É curiosa, quer sempre saber o que tem do outro lado, adora o desconhecido e desafiar seus medos. Ama natureza, praia, cultura e uma boa aventura. Monet, pintor impressionista francês, é seu grande ídolo. Relações Públicas, gaúcha, pisciana. Acredita que viajar torna as pessoas melhores e mais felizes.

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